segunda-feira, 17 de junho de 2013

Magnum Somnianti Puer



Promessas francas sobre um palácio em construção são certezas ditas na mais pura das emoções. Elas cobrem a alma com a brisa primaveril e espelham-na, num sorriso cintilante. É como se brotasse em mim, como uma flor, a afeição, como se almejasse fundir dois em um, para sempre. Sim, para sempre, sem volta, eternamente, enquanto durar. São sentimentalidades que me conturbam nesta fascinação desmedida provocada pela carência.
Na verdade, o meu escudo deveria ser impenetrável. De muito pesar já padeci por me entregar assim, por inteiro. Por vezes, sem solução, a não ser a morte, o termo sem volta. Mas não é assim o meu escudo (se é que eu o tenho). Eu entrego-me, mesmo assim. E vivo cada momento. Sou muito feliz, porque tudo o que vivo é intenso, porque voo alto. Contudo, sei que sofrerei muito mais, se porventura me faltarem as asas, ao saltar do mais alto cume. Mas eu entrego-me. É como sou. Já sofri muito com isso, por me entregar, por confiar em alguém, acredita. Mas, sei que sou mais feliz também, porque vivo assim, intensamente. Isso não cinge os meus sonhos, as minhas quimeras, do “era uma vez”, findado no “viveram felizes para sempre”. Sei que o palácio em construção um dia estará pronto, com torres inabaláveis, abóbodas cravadas com pedras preciosas, e de cúpulas bordadas com os mais belos vitrais alguma vez imaginados.
Mesmo que um dia o D. Casmurro apareça com o escudo mais forte do mundo, perdido no labirinto, dentro de si, eu farei tudo o que puder para o conquistar, se um ponto luminoso vir sobre o seu ombro esquerdo. Pois nada me assusta, nem o mais complexo labirinto. A beleza dos labirintos é saber que, apesar de todas as peripécias e dificuldades, existe neles um caminho certo. E sabe bem batalhar para o encontrar. O galardão no fim é superior, quando desbravando florestas densas, revestidos com a armadura de pureza e simplicidade nas espadas de madeira, encontramos a recompensa. E quiçá, no fim, vivemos felizes para sempre, eternamente. Mesmo que o próprio eterno tenha um fim, «que seja eterno enquanto dure».

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