Caminhava, galopante e o crepúsculo serôdio caiava o céu de breu enquanto entardecia o dia. Caíam flocos de neve que cabriolavam ao ritmo do vento de oriente e de alvo tingiam os pinheiros eternos e, no solo, as quatro pegadas dele se estampavam, deixando-o vulnerável a predadores de presas frágeis. Ansiava saciar a própria sede, serenamente, no leito de água tépida da qual o frio não se tinha ainda apoderado.
A música do bosque atordoava os seus sentidos e vestia-o de medo. Enquanto satisfazia a sua sede, mirando o seu reflexo no espelho de água, secretamente, aflorava em si uma paz amedrontada pela incerteza desmedida de olhos ávidos dos predadores que, por ali, decerto, estavam prontos para cravar os caninos afiados no seu corpo indefeso, cujas veias pulsantes bombeavam o sangue que mancharia pecaminosamente o manto alvo de neve em tons de escarlate.
No fundo, era premonição genuína o que lhe cingia os pensamentos ao temor: um uivar, não muito remoto, fez calar a percussão dos galhos secos e dos cristais de geada que com o vento soavam. Pasmado ficou, tentando compreender de onde provinha o som estridente que perfurava o tímpano. Temia que o seu fim chegasse e estava certo, no fundo.
Do meio da névoa, de caminhar robusto e imponente e olhar flamejante, surge o predador, que, num outro uivo, qual grito de ataque, cheio de velocidade rasga o vento numa passada com alvo traçado – Ele. A passada feroz do predador, que quebrava os galhos secos semeados à sorte no chão, despertou-o da hipnose que o tinha cristalizado como o gelo ali, despoletando uma corrida desenfreada rumo ao incerto, na tentativa de escapar ao termo a que fora destinado.
E corriam, como se no fim o eterno os esperasse, na esperança de honra, vitória. A neve, a cada pegada deles, erguia-se em pranto aos firmamentos, rogando pelo melhor para ambos, somente. Muito correram, até que ele viu que não valia mais a pena, pois nem tudo vale, e rendeu-se por completo. Desistiu de correr, abrandou e entregou-se. Quiçá esperava por um ato de misericórdia, compaixão. Só que nada... Deveras é o ciclo e nada há a fazer.
O predador cravou-lhe os caninos no colo e, como espinhos de rosa em mão de donzela, perfurou-lhe a carne, profundamente. Sentia o ofegar do predador no seu regaço. E de rúbeo o chão branco de neve e o lago espelhado se pintaram. Ele, enquanto isso, pensava na primavera a florescer, que nunca mais veria, e no canto dos pássaros, que nunca mais ouviria, e as lágrimas vertiam dos seus olhos. Serenamente, os sentidos cessavam, de dor não padecia e de paz a sua áurea cintilava, pois nobre foi o seu desfecho. Afinal de contas, é esse o ciclo. Todos procuram a própria satisfação. E ele, nobre e delicada presa, correu o risco por satisfação e se findou para satisfazer o pobre e imponente predador. No fundo, é esse o ciclo.
A música do bosque atordoava os seus sentidos e vestia-o de medo. Enquanto satisfazia a sua sede, mirando o seu reflexo no espelho de água, secretamente, aflorava em si uma paz amedrontada pela incerteza desmedida de olhos ávidos dos predadores que, por ali, decerto, estavam prontos para cravar os caninos afiados no seu corpo indefeso, cujas veias pulsantes bombeavam o sangue que mancharia pecaminosamente o manto alvo de neve em tons de escarlate.
No fundo, era premonição genuína o que lhe cingia os pensamentos ao temor: um uivar, não muito remoto, fez calar a percussão dos galhos secos e dos cristais de geada que com o vento soavam. Pasmado ficou, tentando compreender de onde provinha o som estridente que perfurava o tímpano. Temia que o seu fim chegasse e estava certo, no fundo.
Do meio da névoa, de caminhar robusto e imponente e olhar flamejante, surge o predador, que, num outro uivo, qual grito de ataque, cheio de velocidade rasga o vento numa passada com alvo traçado – Ele. A passada feroz do predador, que quebrava os galhos secos semeados à sorte no chão, despertou-o da hipnose que o tinha cristalizado como o gelo ali, despoletando uma corrida desenfreada rumo ao incerto, na tentativa de escapar ao termo a que fora destinado.
E corriam, como se no fim o eterno os esperasse, na esperança de honra, vitória. A neve, a cada pegada deles, erguia-se em pranto aos firmamentos, rogando pelo melhor para ambos, somente. Muito correram, até que ele viu que não valia mais a pena, pois nem tudo vale, e rendeu-se por completo. Desistiu de correr, abrandou e entregou-se. Quiçá esperava por um ato de misericórdia, compaixão. Só que nada... Deveras é o ciclo e nada há a fazer.
O predador cravou-lhe os caninos no colo e, como espinhos de rosa em mão de donzela, perfurou-lhe a carne, profundamente. Sentia o ofegar do predador no seu regaço. E de rúbeo o chão branco de neve e o lago espelhado se pintaram. Ele, enquanto isso, pensava na primavera a florescer, que nunca mais veria, e no canto dos pássaros, que nunca mais ouviria, e as lágrimas vertiam dos seus olhos. Serenamente, os sentidos cessavam, de dor não padecia e de paz a sua áurea cintilava, pois nobre foi o seu desfecho. Afinal de contas, é esse o ciclo. Todos procuram a própria satisfação. E ele, nobre e delicada presa, correu o risco por satisfação e se findou para satisfazer o pobre e imponente predador. No fundo, é esse o ciclo.

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